2.24.2004

Acordar tarde, não sair de casa nem do roupão, enfiado no sofá com um comando na mão a espera que a noite venha e me embale.
Vem depressa, amanhã é quarta e apetece-me trabalhar.

2.23.2004

Hoje à noite vou-me disfarçar de “Admirável Mundo Novo” (para os mais puristas “Brave New World”) e acreditar que tudo no mundo é controlado pelas leis físicas e que para o domar apenas preciso de as descobri – sim essas leis universais -, obviamente através da ciência – as puras, salvo seja!
Não se atrevam, hoje, a clamar como ciências aquelas coisas de nome sociologia, antropologia, psicologia ou filosofia, tudo isso são balelas para que pessoas com mentes deturpadas enganem as outras com pseuso-sabedorias relativas e nunca conclusivas (que raio de ciência é esta?). Até os homens são governados por essas mesmas leis universais e somos muito mais simples do que se possa pensar, esses pseudo-cientistas é que complicam o que na realidade é linear.
VIVA À CIÊNCIA!

Por isso hoje vou disfarçar-me daquele rapaz que está a tirar farmácia e me disse que daqui a uns anos a psicofarmacologia irá dar um grande salto e todas as doenças mentais terão um medicamento apropriado que tornará essas pessoas “normais”, igual às outras – as ditas “normais”.
Presumo que qualquer dia não serão necessários nem médicos, nem políticos, nem sociólogos ou antropólogos, nem qualquer tipo de filosofia – de certeza que “filosofar”, daqui a uns anos, será considerado como um nítido sintoma de uma qualquer doença mental – se calhar dirão que existe uma ligação qualquer no neurónio X ou que o próprio neurónio X está avariado, deu-lhe para provocar estímulos eléctricos totalmente desconexos e inúteis. Nesse dia apenas será necessário alguém que produza o “milagroso comprimido” e uma máquina que diga qual é o problema da pessoa.
É engraçado como o encantamento, inicialmente ligado às práticas mágicas referenciadas aos “povos primitivos”, nunca se extinguiu, nem neste maravilhoso mundo moderno em que hoje vivemos embriagados - de admiração!

2.19.2004

Today I like blue....Esta frase relembra-me Edimburgo e como os melhores céus azuis da minha vida foram vistos em gélidos dias, que até as nuvens afastam....como o de hoje...

2.18.2004

O nome engana, “invasões barbaras”, mas ao mesmo tempo não.
O fio condutor do filme é mais que banal, a todos acontece, a morte, a morte que se aproxima.
O que faz disso um assunto interessante? Apenas ser o pólo de atracção para que antigos amigos e familiares se encontrem, todas pessoas com boa formação académica e os mais velhos, aparentemente, versados em várias questões filosóficas e sociais, mas não pensem que aqui os torna, as personagens, em melhores pessoas. Existe na verdade um confronto geracional entre pai e filho por causa disso. Durante o filme todo o realizador mostra-nos essas sábias criaturas como as pessoas mais intolerantes à face da terra e menosprezam, por medo, o diferente.
Do princípio ao fim que o realizador mostra, com alguma parcialidade no meu ver ou cinismo – não sei ao certo, mas seguramente que este último revelará grandeza por parte do realizador -, o fracasso dos grandes ideais que reinaram durante o século passado. Em nada deram. Ao contrário deles, os grandes capitalistas ao pé deles (um deles filho da pessoa que está à beira da morte no filme) são os mais magnânimos e os mais atenciosos de todos – era bom se eles na vida real tivessem tanto desapego ao dinheiro como a personagem personificada pelo filho, nesse dia faria uma tatuagem no peito, a substituir aquela que dizer amor de mãe, a dizer: “Viva ao capitalismo!”.
O filme não acaba bem, o que é bom, porque a vida nunca acaba bem, tem-se sempre que morrer – o que é uma chatice. Como retrato de vida, dá-nos muitas pontas soltas por onde pegar e tentar perceber porque é que as pessoas são como o são. Será que vale a pena ler todos aqueles livros? Valerá a pena trabalhar tão arduamente por um mero trabalho? Será que haverá alguma mulher/homem feita para nós ou devemos cair na realidade de apenas mais um contrato social a que se deve ser fiel? Será que com a morte nos aproxima-mos mais da verdade – como o diz Sócrates – por a nossa alma ir ter com os Deus? Será que a alma existe mesmo?
Um bom filme, tal como um bom livro, é aquele que nos responde a algumas perguntas mas nos deixa com mais e novas perguntas não respondidas do que inicialmente.


Só mais uma coisa sobre o filme (infelizmente não consegui encontrar nenhuma em pleno filme). A foto diz tudo, não precisa mais comentários:
Já não é nenhum segredo, também não é nenhuma novidade (já tem quase quatro anos), mas continua a ser uma delícia ouvir as 69 músicas de amor fabricadas pelos Magnetic Fields, cada uma com seu próprio estilo, cada corrente musical está lá representada com o seu ideal de música de amor.
Ao escutá-lo, como eu o voltei a ouvir passado uns três anos decorridos desde o seu conhecimento, apetece-me estar apaixonado, viver para alguém, dar-me a alguém, ter apenas uma pessoa na minha mente… aquela, aquela rapariga…o que vale é que a música acaba e o cd também e tudo volta ao normal.

Para além disso, as letras das músicas são geniais, tipo:
“acoustic guitar, I’m gonna make you a star/get your picture all over the world/acoustic guitar, you can have your own car/just bring me back my girl”

“if you don’t cry/it isn’t love/if you don’t cry/then you just don’t feel it deep enough”

Música para apaixonados e insensíveis. Lindo, lindo, lindo…

2.16.2004

Lembrei-me deste filme por mais do que uma razão. "Palombella Rossa"
Não só por se passar numa piscina, no meio de um jogo de pólo aquático, onde o jogo é um acontecimento secundário (como ontem o foi), sendo as dúvidas existências da personagem que nanni moretti personifica o cerne do filme...e no final falha o pénaltie decisivo, que demora uma eternidade a marcar, no último segundo.

Perder por um e ainda por cima por culpa própria é duro de engolir.

2.14.2004

Já me tinha esquecido deles. O problema foi ter sido ofuscado por um grande tumulto com o objectivo de revolucionar o Canadá ao mesmo tempo que se falava das boas acções que o ex-governador do Texas tinha executado no seu querido estado (maior número de condenados à pena de morte, maior número de penas de morte executadas, estado da América com mais mendigos, etc…). Eles já tiveram duas vezes em Portugal, mas em nenhuma das vezes os nossos presidentes lhes deram ouvidos.
Os que estavam esquecidos revoltaram-se e tomaram pose do meu leitor de cds para me recordarem do demérito que lhes tenho votado. Também, com um nome daqueles quem lhes dará ouvidos?
Neutral Milk Hotel…..

2.13.2004

"Falamos na segunda pessoa do plural, porque assim nos é mais fácil, dói-nos menos do que dizer eu. Virámo-nos do avesso. O eu não sabemos muito bem onde está. Não nos importa sequer se nos lêem. Somos egoístas. Escrevemos porque sim e nem queremos saber da coerência. Somos filhos únicos e estamos sós. Este é lugar nenhum."
Poderia ter sido eu a escrever, mas não fui. Este lugar a que ele chama de nenhum esconde-se numa incerteza de lugar, que o é sempre onde quer que estejamos, creio eu.

2.12.2004

Saí do trabalho, depois de o ter cumprido - meia hora a olhar para o ar – com o máximo de esforço para não confundir os sonhos com a realidade, pensei, em modo de sonho, em italiano e nas pessoas de lá. Mais que isso, lembro-me nitidamente que tive conversas e discussões inteiras em italiano, de mim para o outro eu e vice-versa, com o intuito de a praticar – a língua italiana – e convencido de que caminhava em sua direcção, não tardando nada em lá chegar.
Pelos visto não fui o único. Correm uns rumores de um mito em queda – que grande ícone com nome de uma cidade do norte – que deixado, por volta das sete e um quarto da manhã, ao acaso numa conhecida pastelaria cá da zona – depois de muito ter gozado com o seu destino e a do seu condutor (ainda embriagado pela banalidade da carne mortal do objecto que caía do seu pedestal) – recordou-se de uma antiga canção italiana, trazida pelas recordações, cantando-a enquanto se despedia com um contente sorriso ébrio.
Seguramente que a ele também aconteceu dar-se o acaso de a primeira pessoa que o interpelou ter sido correspondido com umas inebriantes palavras italianas e a outra pessoa não ter apanhado a deixa.
É lindo quando se consegue dar Beijos nas Costas e não se olha ao estrume que por lá anda...isto é o circo do futebol visto por aqueles que gostam de costas limpas e dignas de apertos de mão e abraços...manda mais uma.
Hoje de manhã apanhei boleia para o trabalho e no caminho apanhamos mais um passageiro de viagem, um tema de conversa anormal pelo menos para aquela tão matutina hora. Falou-se de mulheres. Sim essa coisa - coisa sem o comum sentido pejorativo.
O que se poderá dizer sobre as mulheres?
Algumas vozes dirão: “MUITO! É um tema vasto e complexo” – como se os homens não o fossem e só as mulheres é que têm problemas.
Outras, sarcásticas, rir-se-ão e apenas dirão: “Fá-las sofrer que elas te amarão para o resto de suas vidas” – pessoalmente acho que é um bom ponto de vista, como seguramente o de algumas mulheres que já passaram pela minha vida.
Mas não é essa a pergunta certa. Se perguntarmos a uma mulher o que falha nas relações, dirão imediatamente:
“Eles – os homens – não nos compreendem!”
e os homens – os menos sábios e mesmos alguns destes – concordarão:
“Nunca sei o que se passa na cabeça de uma mulher”.
Pois é, concordo mas saberão realmente elas – as mulheres - o que se passa na cabeça deles – os homens ?
Elas dirão que sim – obviamente.

Aí é que reside a falha, nem elas nem eles se compreendem mas apenas os homens é que o admitem e elas aceitam essa concordância– espertas –, enquanto eles esperam – eternamente – que elas os tentem perceber e os ajudem nas quedas.
Já repararam que ninguém ampara a queda de um homem ao passo que as mulheres são logo voluntariosamente rodeadas por homens e mulheres?

Fora disso, não é irritante como as mulheres dizem que conseguem averiguar a beleza delas próprias pelos padrões dos homens e quando estes não concordam, com a opinião delas, estas últimas não aceitam essa crítica?
Mas a culpa não é delas, é dos homens, eles é que não as compreendem. Coitadas.

2.11.2004

Mais uma vez o senhor Tim Burton oferece-nos um pouco do seu mundo imaginário, povoado por pessoas estranhas ao nosso mundo dito normal.
Depois de alguns filmes muito mal concebidos (refiro-me ao “Batman”), parece que a veia criativa que inicialmente o caracterizou – “Eduardo mãos de tesoura” e a fabulosa animação “Estranho mundo de Jack” –, recuperou algum fôlego e depois de um mais bem conseguido, muito a acima do que tinha feito em Batman, “A lenda do cavaleiro sem cabeça”, onde já se via alguns dos pormenores que deram fama a este realizador, eis que aparece “Bigfish”.

Definitivamente é um filme do imaginário de Tim Burton, mas ao contrário de outras personagens de outros filmes, a personagem central deste filme não é nenhum inadaptado ou apenas amado por poucos, é sim uma personagem que todos adoram com a excepção do seu filho. Considero um filme mais alegre que os outros seus clássicos (de onde retiro o terrível “Batman”).
Vão ao cinema e comentem.

2.09.2004

Sinceramente não gosto dos filme do Woody Allen e mais estranho ainda é ver o Jason Biggs e não o associar ao fabuloso “American Pie”.
Apesar disto, acho que fale a pena dar uma espreitadela ao cinema mais próximo.

2.07.2004

Os ouvidos ficaram surdos de dor e prazer. Mais uma vez destruíram todo o meu aparelho auditivo, mas valeu a pena…. Agora não preciso de ligar os phones ou tapar os ouvidos para não escutar vozes que me repugnam ou que devem ser ignoradas.


Sempre os podem encontrar aqui.
- tenho uma coisa para te dizer!
- OK, diz!
- Não consigo.
- Então porque disseste que tinhas algo para me dizer?
- E tenho, mas não consigo.
- Se não consegues, na prática não tens nada para me dizer, não é?
- Não. Eu não consigo, é isso que quero dizer, apesar de não ser realmente isso que quero mesmo dizer porque na verdade não te consigo dizer o que quero.
- Deixa-me perceber. Tu não consegues dizer o que queres, mas ao afirmá-lo estás a dizer e isso é dizer alguma coisa, apesar de não ser o que realmente me queres dizer, correcto?
- Sim, exacto!
- Agora percebi. Na boa!
- Ainda bem que te consegui dizer.

2.04.2004

Contextualizando as nossas queridas "necessidades", que tão pouco pudor temos em as defender contra tudo e todos, nada melhor que este pequeno comentário:

"Mas algures no mundo alguém diz que não consegue imaginar o que seria a vida sem o cheiro a bosta de vaca, ou sem o mel tirado directamente de uma colmeia bojuda pendurada duma árvore. O que é curioso é que tem razão. "
""There's nothing out there!". O medo do vazio faz algumas pessoas frias, resistentes e indiferentes. "... o vazio dos outros é contagioso, contra isso só uma boa carapaça.
Alguns respondem com "Gostava de viver no deserto, estou farto de o sentir dentro de mim."

Conclusão:
- Viva aos bivalves, caracóis, eremitas, autistas, ignorantes, egoístas... todos esses que conseguem vivem apenas do seu interior.

2.03.2004

Quase que foi paixão à primeira vista, mas duas coisas foram importantíssimas, a sua grande abertura (hhhuuummmmm) e o seu baixo preço....

Tenham cuidado que andarei por aí com ela.

2.02.2004

Os acontecimentos deste último fim de semana continuam a aparecer de uma forma vertiginosa. Descobri mais uma função social que não andava a cumprir, segundo o regulamento, por isso desculpem, aqueles que me conhecem, por ainda não vos ter feito a pergunta:
“Estás apaixonado(a) por mim? Desculpa eu não, mas já devia ter perguntado não é?” Podia ser que tivesses e quisesses falar e só depois desta pergunta é que tinhas coragem para o fazer. Desculpa não ter cumprido com esta minha função social, o erro foi meu afinal.

Para além disso, este fim de semana criou-se uma nova linguagem política (isto é de governação da vida), se alguém te chatear sempre podes responder:
“Quero é que vás morrer no campo!”
ATENÇÃO! A palavra campo deve ser cambiada pelo seu contexto. Um pequeno exemplo:
“Ó Durão quero é que morras no PARLAMENTO”.

Daqui concluo que tenho urgentemente de tomar mais drogas, vou saber o que o Mourinho e outras pessoas andam a tomar.
Como foi o teu fim de semana? – pergunto a mim próprio.
Bem… não me lembro de algumas coisas – nunca realmente se lembra de tudo não é?
Pois! Primeiro há esses gaps, existem algumas suspeitas confirmadas, histórias mirabolantes por contar, tal como alguns arrependimentos, mensagens no telemóvel – cada vez mais vazio de dinheiro – que não compreendo e suspeitas cómicas de uns quando estava a milhas de casa.
Alguém me acordou de um sonho agradável que rapidamente destruí com o medo e a chuva levou. Já não sei onde ele pára, mas uma chapada foi bem assente na bochecha de um qualquer, um mentiroso – rezam as lendas que assim foi, como disse, nem todos os pormenores penetraram a esfera da memória -, ele tentou desviar-se mas não havia hipóteses, entretanto, colado à minha pele, um remorso que transporto desde aí (mas não daí, não tem nada haver, foi aquilo que a chuva não conseguiu levar), devido à culpa, um fardo que não devo esquecer – alguém mo diz, acho que a memória.
Para terminar, não a culpa que sempre permanecerá lá, enfiei-me num jacuzzi impróprio para actividades físicas, adormeci e só acordei com um apito de termino do jogo. Dizem algumas pessoas que lá estiveram presentes que marquei um golo – volto a frisar que não me lembro de tudo, e que nem sempre é de confiança a memória, a dos outros.