7.28.2004

Ela, ao contrário de outros, encondia-se por detrás das suas grandes mãos.

by Me

Dizia ela que quando o fazia, conseguia isolar-se do mundo.
Tudo há sua volta deixava de existir, acreditava ela.

Uns acreditam poder ver a realidade, enquanto outros dizem que essa realidade nada tem haver com eles. Qual deles o correcto? Se calhar nenhum. Talvez ambos estejam enganados mas ambos felizes na sua cegueira.

7.25.2004

by Me

caminhava por veneza, senão me falha a memória por altura da páscoa, e numa das muitas estreitas ruas que por lá se encontram deparei-me com uma luz ao fundo (do túnel).
Via-se a silhueta de uma rapariga, a luz brilhava na sua pele ou roupa, não sei bem dizer.
Aproximei-me, na tentativa de interromper o seu isolamento e de ficar mais perto dela.
Dei uns passos e lá continuava ela, agora deitada... a falar com um outro rapaz. Notei que não era eu. Voltei as costas e percorri o longo corredor, que era aquela rua, em silêncio.
Não desisti e continuei a pensar que existia uma rua estreita, com uma luz brilhante lá ao fundo, onde iria encontrar-me a falar com ela.

by Me

7.21.2004

by Me

Uma vez, numa das muitas viagens que fiz (não foram assim tanto como a frase parece dizer, sinto-me bem ao dizer esta frase e levar em erro as pessoas) deparei-me com este estranho animal.
Anatomicamente era impossível que ele conseguisse voar mas a verdade está lá toda, na foto.
Não sei se era um mutante produzido nas águas salobras de Veneza mas de repugnante nada possuía. Baptizei-o, na altura, com um nome, em italiano -obviamente, do qual já não me recordo. Creio que começava com a letra P.
Naquele dia apeteceu-lhe entrar pela janela, deixada aberta com esse propósito, apenas para me saudar...

7.20.2004

Lembro-me de ser mais novo e ouvir o meu pai falar de um restaurante de nome Galeto, onde se podia comer bem e até às muitas pela noite a dentro. Na altura, por viver longe de Lisboa e por nem sequer sair à noite (creio que os meus pais me mandavam para a cama, conjuntamente com o meu irmão mais velho, por volta das 21h), nunca prestava muita atenção aos nomes, excepto quando eram invulgares – o que era o caso deste -, e imaginava na minha cabeça possíveis ficções de onde seriam e como seriam esses lugares.
Não foi a primeira vez que entrei no dito local mas foi a primeira vez que o usei como lugar para pedir uma sandes, beber uma imperial e fazer tempo na companhia de uma boa conversa. Cheguei a casa um pouco mais tarde do que esperava, com isso perdi algumas horas de sono. O sono foi bem perdido, nem dei por ele durante a manhã, tive finalmente  a oportunidade de viver uma das histórias que o meu pai contava e me maravilhava quando era pequeno. Agora só falta ir a Angola….um dia, talvez, como tudo. Uma coisa de cada vez.
Se realizarmos todos os sonhos de uma só vez o que é que nos sobra?
 
PS: enquanto procurava saber se escrevia correctamente o nome Galeto deparei-me com este texto... no mínimo curioso:
 
""Lisboa tem os seus segredos à noite. Tem-nos de dia e à tardinha. Mas é de noite que os segredos são mágicos e são trágicos. Nesta labuta de manter a Internet a funcionar e de andar à volta dos computadores durante a noite sou, também, um dos personagens que habitam a noite de Lisboa. Ao lado das prostitutas e dos chulos, dos empregados do Galeto, dos bandos de africanos que se juntam à volta das roulottes de bifanas e caldo verde às quatro da manhã, dos apaixonados sem sono que calcorreiam a insónia nos passeios de calçada portuguesa da cidade, dos polícias desinteressados e dos guarda-nocturnos que já viram quase tudo, dos amantes dos bichos a salvarem um gatinho preso no motor de um carro às 3 da manhã depois da saída do cinema, dos que procuram a companhia no copo de cerveja do próximo bar, dos que desesperados da solidão dão tudo por ouvir a voz dos homens, dos amantes que prolongam mais um pouco a rua com medo de ir para casa não vá o encanto quebrar-se, daqueles que levados pela fome da luz e de um bife procuram um qualquer restaurante às 5 da manhã e, por fim, dos arrumadores de  carros que aborrecem, ajudam, perturbam e nos enchem a cara da miséria que carregam. Pois foi numa dessas noites de trabalho, aborrecido dos computadores,  cansado de trabalhar de noite e saudoso dos braços quentes de mulher que me  esperariam em casa que saí à rua por um batido de iogurte com frutas e uma tosta mista ali mesmo no restaurante galeto a dois quarteirões do sítio onde trabalho. Chovia uma espécie de morrinha que não era bem água. Parecia um qualquer líquido viscoso que passava além dos casacos e falava do trágico que tem a noite. Começa o inverno e os sem abrigo gritam-me em silêncio o conforto que tenho em minha casa. A luz dos computadores que durante a noite vigio, deixa nos meus olhos de quarentão, uma impressão bruxuleante, a luz mortiça e cansada dos faróis velhos do meu carro velho, faz uma auréola dentro da chuva que cai. Desloco-me dois quarteirões de carro por medo da chuva e do mal que ela me grita, do incómodo que é saber que a noite está lá e incomoda. Meio entorpecido por estes pensamentos, a tentar perceber qual é o meu lugar na noite, como tento perceber qual é o meu lugar na vida. E sem vontade nenhuma de descer à terra, do inferno onde habito que se situa três metros acima do chão, vou passando semáforos e quarteirões na senda do restaurante que, penso, me confortará o estômago e o estado de espírito. Debaixo daquela chuvinha que não chega a sê-lo, mesmo à porta do restaurante a tentar estacionar carros em troca de uma moeda que lhe mitigue a miséria, vejo-a. Debaixo de um guarda-chuva gritantemente vermelho, parece que pretende personificar a noite toda e a decadência que fugir dos outros traz. Aquela personagem esguia, postada no meio da rua a mostrar-se qual gigante adamastor, qual mostrengo que está no fundo da noite a ensinar-me que o risco entre este meu lado do mundo e o lado onde ela vive é ténue e arriscado. Conheço-a há mais de um ano e a sua presença é sempre a minha aflição. Não lhe consigo adivinhar a idade. Rapariga no fundo dos olhos, mulher na aparência física, velha na história que o seu aspecto grita. Então tinha o cabelo comprido e lutava pelos melhores lugares a estacionar carros. Encontrava-a ao fim da tarde e parecia-me que vinha de longe e para longe. A sua mobilidade era notória. Agora vive dentro de um Renault 5 vermelho em frente ao restaurante que me acolhe a fome até às três da manhã como se arrastar-se mais de cem metros fosse uma tarefa impossível. Agora não sei se tem cabelo escondido sob um chapéu horrível. Arruma carros numa expressão sem vontade, sob uma qualquer história de drogas (?) ou de miséria precoce que não me é dado nem desejado entender. Que susto, que medo, que pavor. Corro atrás dela para lhe dar uma moeda. Ela já me conhece e sabe do meu olhar inquiridor e da certeza de uns trocos na algibeira das calças. Seremos  cúmplices, somos personagens da noite de Lisboa."
 
Jaime, 12 de Dezembro de 2000"
É uma ilusão pensar que se verá melhor se se remover o que distorce a visão.
O erro não está no pensar que se vê a realidade adulterada e ela é sempre opaca mas que é possível vê-la na sua essência real (no seu absoluto). Cego é esse que diz conseguir ver tudo perfeitamente mesmo sabendo-se que se encontram camadas de panos a detorpar e a criar falsos significados da infima realidade que se tem a possibilidade de observar.
 
by Me

7.19.2004

Interessante, dá que pensar.
Tanto se critica o muro que os israelitas andam a fazer para os separar dos palestinianos e esquecemo-nos que países da própria comunidade europeia os têm noutros países onde ainda possuem terras, autenticos colonatos, separados por muros... um desses exemplos é espanha e a ainda o seu soberano território de Ceuta.
retirado do blogue de esquerda, ao qual, por sua vez, retirou de uma revista, a Harper's.
 
"Death is inevitable, but not disease. The difference may be as simple as washing our hands or keeping the wastes of industrialized farming out of the water supply, but it is often much more complicated. Bacteria and viruses are no mean adversaries, nor are they easily defeated. If we fail to be watchful or to protect those most at risk, a public-health catastrophe is inevitable, and yet somewhere within the span of the last thirty years the idea of the common good has disappeared from our national consciousness, giving way to the misconception that we no longer need to concern ourselves with the welfare of our fellow citizens. It is a dangerous concept, and it leads us toward a future infected with unprecedented and unnecessary disease.We have grown not so much complacent and narcotized, lulled into a sense of security by the almost daily pronouncements from corporate medicine and the pharmaceutical industry of better drugs and more “breakthrough” treatments. The spectacular progress of twentieth- century medicine, most recently the sequencing of the human genome, sponsors the widespread fancy that disease might someday be conquered, that genetic manipulation or nanotechnology or some other science- fiction marvel might bring with it the cure for death. Long forgotten are the days when the loss of a child to diphtheria or whooping cough or yellow fever was a commonplace event, the days before widespread vaccination and government safety and health regulations ; we no longer remember life before publicly funded sewage –treatment plants and the passage of the clean – air and –water acts. Public health is often invisible and unremarked when it works well; when it fails our neighbors sicken and die.A public health system is only as strong as its weakest link ; an epidemic enforces, in the most rigorous fashion, the American credo that all men are created equal. If we allow one segment of our society to suffer and perish from preventable disease, little stands in the way of collective doom."
 
A ideia pré-concebida e aceite que certos trabalhos serão cumpridos por pessoas de "classes inferiores" e de que não se tem de pensar nisso nem dar a devida importância para o bem estar, em termos de saude prgânica, é ignorar os reais principios que nos regulam. A sociedade baseia-se em milhares de formigas para a poder sustentar a niveis superiores, mas estes muitas vezes esquecem-se de quem lhes confere a possibilidade de viverem como vivem. E como bem diz no artigo "Public health is often invisible and unremarked when it works well; when it fails our neighbors sicken and die.A public health system is only as strong as its weakest link"

7.18.2004

by Me
 
Nalguns fins de tarde e inícios de noite, uma vela, acompanhada com chá, faz sempre de companhia.
Nessas alturas repara-se que ninguém ocupa a cadeira vazia, as únicas pessoas com que se fala apenas o fazem para perguntar se se quer pedir mais alguma coisa e as outras vozes que se escutam são de pessoas noutras mesas.
Os olhos vagueiam temporariamente pelas outras pessoas, à procura de alguém conhecido mas nada. Desistimos e sorve-se um pouco mais de chá, vira-se a página do livro que se está quase a apagar e em vez de o acabar olhamos para a única coisa com vida na mesa, a pequena luz que insiste em existir no centro da mesa, colocada dentro de um recipiente de vidro, tal como a rosa do pequeno príncipe, com o intuito de a proteger do resto mundo. Naqueles curtos momentos de contacto com essa pequena luz acredita-se que se seja sua guardiã e que ela existe por nossa vontade e desejo. E ela não se importa, até o deseja.
Bebe-se o último gole de chá, chama-se o empregado para pagar e deixamos a vela no sítio onde sempre ficou o tempo todo. Deseja-se levá-la discretamente para casa mas sabe-se da sua impossibilidade e que não duraria um minuto fora do seu círculo habitual. Foge-se sem deixar remorsos. A piedade não acrescenta nada à vida, apenas lhe tira vida.
Uma memória é congelada com a intenção de ser prolongada num outro dia, sensivelmente há mesma hora, com uma vela a fazer de companhia - ingenuamente acredita-se ser a mesma do outro dia, quer-se acreditar que assim seja. A vida não tem significado de outra forma.

by Me
 
Quem nunca sonhou ser uma estrela de rock?

7.14.2004

7.13.2004

Preciso de ti?

Não, mas gostava de te encontrar...


Retirado de um blog que há meses não dá sinais de vida mas as palavras escritas escontram-se ainda lá (talvez ainda perdidas à procura).

A frase define-me, procuro-te a que o "te" não sabe responder por ele mesmo, "te" o quê? O que quererá dizer o "te"? Quem será el@? A quem se refere ele? Conhece-o? Se não o conheço como o posso reconhecer no meio da multidão?

Algumas vezes leio a resposta de uma outra forma, retiro a importancia do "te" e acentuo o "procuro". procuro-te. Isto faz toda a diferença. Não sei o que procuro nem sequer interessa. Apenas procuro e pretendo continuar a procurar e nunca parar de o fazer. Se alguma vez encontrasse o "te" o que seria de mim?
Mas na ansia de nada procurar, desespero e anseio encontrar-lo, o "te", o que procuro e nunca consegui encontrar. O desanimo é temporário mas rapidamente retomo a minha procura.
A tabuleta partida indicava nitidamente que estava perdido. Percorrer por mais tempo aquele mesmo percurso seria andar em círculos sobre o mesmo assunto.
Hoje estou perdido e procuro a tabuleta que indique onde é que está o problema, qual foi a direcção que tomei indevidamente.
De tempos a tempos ocorre-me isto, principalmente nos dias em que o sono é maior que a vontade. Deixo-me estar e o sentimento apodera-se do meu corpo e verdadeiramente não habito nele e um outro eu caminha dentro dele.
by Me
by Me

Gostava de segurar a vida como ela segurava o disco verde, apenas iluminado por uma pequena luz artificial que era accionada pela sua presença.
A cor verde seria de liberdade? Tal como o verde de um semáforo significa a liberdade de poder acelerar dali para fora?
Dois andares dentro da terra, num pequeno espaço, pode-se encontrar sofás disponíveis prontos para serem usados e com o teu nome à espera. Também te aguarda o homem do botão, ele poderá ser uma das cinderelas, para carregar no play.

Será que o sapato já não serve, para encontrar o príncipe que tanto anseio, como chamariz? A espera já se tornou num desespero de procura, sapatos atrás de sapatos, nunca ninguém repara. Hoje compra-se tudo em pacotes de seis, reutilizáveis, recicláveis, acessíveis a todos os bolsos e feitios. Tudo para consumo rápido e com data de validade. Acaba, deita-se fora, tira-se a roupa e toma-se banho. As recordações desaparecem empurradas pela sujidade que a água retira da pele. Depois é só esperar pela próxima experiência, que o banho tornou possível estar receptivo e viver. Mas é sempre a mesma coisa. A pedra no sapato continua sempre lá, no mesmo sítio, em diferentes lugares/pessoas. Em alguns lugares é exigido a sua presença, no meio dos dedos, à sua volta, em todos os poros do corpo. Ao pé de um mar pronto a ser estreado antes que chegue a hora, a hora de voltar para casa. Ela chega sempre em grandes neóns cor-de-rosa a dizer GAME OVER. A vida não passa de um jogo de computador.

Ninguém encontrou o príncipe encantado, as cinderelas ainda aguardam com esperança igual ao do homem do lado, num qualquer bar, que ouve atentamente os números do totoloto e crê que é dessa vez que vai ficar milionário.
A sala fica escura e não reparo, até esse momento, que descalcei os meus sapatos a meio, olho para eles e acenam-me na sua nudez. A unha do dedo grande do pé está azulado por baixo e algo me diz que é daí que me vem aquelas malditas dores. “MALDITAS SAPATILHAS!”

PS: para quem quiser saber mais coisas sobre este projecto esteja as 22h de segunda a sábado na loja Consigo, em Coimbra, mesmo ao lado da Maternidade Byssaia Barreto.

7.12.2004

Ultimamente tenho sido confrontado com algumas pessoas (na verdade uma, que eu saiba) que crêem que eu me tenho em grande estima, com isto querem dizer que me considero superior aos outros e chamam-me elitista.
Lembro-me em tempos de pessoas, com quem não falava por não as conhecer, virem falar comigo e dizerem-me que era antipático e mesmo elitista por não falar com elas, a que eu respondia “mas eu não vos conhecia e não sabia, nem tinha, nada para dizer, porque é que havia de ter dito alguma coisa? Porque não falaram vocês que estavam na mesma situação que eu?” e depois as relações normalizavam porque todos fazemos isto sem intenção de magoar as outras, apenas por nos refugiarmos no silêncio como protecção.
Sobre o mesmo assunto, um outro alguém sentou-se ao pé de mim, já a conhecia, e disse-me que devia prestar mais atenção às conversas entre as pessoas, a que perguntei prontamente “Porquê?”. Ela sem rodeias disse-me directamente que as pessoas (neste caso referia-se particularmente à minha pessoa) não precisam de estar sempre a dizer coisas interessantes para que as pessoas falem entre si. Na verdade, na grande maioria dos casos, as pessoas quando estão juntas nada dizem de especial, a que eu concordei mas tentei defender a minha posição com a falta de convivência que permitisse saber os temas de conversação possíveis em novos grupos de sociabilização e essa era a pura e simples razão porque me permanecia muitas vezes calado. “Sim eu sei”, respondeu-me ela com um grande sorriso “mas mesmo assim não o necessitas de fazer sempre. Qualquer coisa serve para cativar e fazer conversa. As pessoas não ligam ao conteúdo.”.

(Não sei, agora que penso mais no assunto, se ela não me queria dizer que todos se sentem sempre um pouco sozinhos durante toda as suas vidas)

Mas cada dia que passa a estima que nutro por mim, encontro espelhadas nas palavras que este poeta proferiu:
"(.)
que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
(.)
Conquistámos o mundo antes de nos levantarmos da cama,
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a via láctea e o indefinido.
(.)
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz,
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido(...)"
Álvaro de Campos "Tabacaria" (trecho)
Não me vou alongar mais sobre questões políticas (a nausea já começa a transformar-se em vómito e dejecções diarreicas) e apenas gostava de referir uma interessante posição que alguém esplanou nesta blogoesfera.
Não gostei nada da posição assumida pelo PR mas aceito-a coma uma das possíveis naquela situação e que ele crê ser a melhor para o nosso país. Chamar-lhe nomes ou coisas piores é que não é a atitude correcta porque apenas evidênciam a sua estrutura mental "estão livres de pensar como eu!".

Eu acho que está garantido um novo ciclo governamental nas próximas eleições mas logo se verá. A pressa é sempre uma inimiga da perfeição.

7.08.2004

Numa conversa, entre raparigas - óbviamente -, discutiam-se os gostos ou o que procuravam num companheiro.
Uma delas fez uma lista das características que gostaria de ver concentradas num rapaz a que uma amiga respondeu:

"uma vez tentei fazer uma lista assim...
ficou em branco, para que eu pudesse ir amando quem aparecesse"...

...

isto fez-me lembrar uma música dos Joy Division, nela, o Ian, dizia (continua a dizer porque a sua vez ainda se escuta através de cds ou vinis que rolam nas aparelhagens):
"I've been waiting for a guide to come and take me by the hand
could these sensations make me feel the pleasures of a normal man?"

esperemos porque ele não foge, o tempo... ela virá and will take me by the hand.


Uma pérola tirada do baú das memórias...

... sem resposta possível, o primeiro e melhor album dos Pavement.

Um tinha a obsessão pelas 4h48, outro pelas 2h25, ambos da manhã. Um escreveu peças de teatro, com esse número - Sarah Kane -, o outro traduziu o seu viver para músicas, também com o outro número - Elliot Smith.
Fora essa semelhança, na obsessão por uma determinada hora, também as suas mortes foram iguais no acto final de consciência da sua decisão, Suicídio.



Não o aconselho, por diversas razões mas não vou ser eu a contrariar vontades tidas como superiores aos próprios seres mas o que ambos deixaram é um legado que não deve ser perdido e aproveitemos os objectos que transportam as pessoas no seu interior, mesmo se mortas, porque como dizia Latour os objectos vieram a possibilitar ao homem a sua libertação de certas actividades repetitivas do quotidiano, fundamentais para a formação e reprodução das estruturas onde as relações sociais se baseiam, permitindo ao homem o caminhar noutras direcções sem medo de perder o que já tinha sido produzido. Os objectos são um dos pilares mais importantes na produção, preservação e sua nova reprodução das relações sociais, não só entre humanos mas também entre humanos e objectos pois estes também são actores sociais.



Escutem-nos ou leiam-nos, obcecados ou não, insanos ou mentalmente saudáveis, mortos ou vivos.

7.07.2004

Cocorosie o heterónimo de duas raparigas que negam a ideia que no mundo moderno já não existe magia. Oiçam este disco intimista e deliciem-se com tanta energia encantatória.
Um disco a escutar vezes sem conta no leitor de cd's até o perfurar.