Nas férias esquece-se que existimos e adiamos tudo para depois...
...para depois das férias, é que vou começar a estudar, depois das férias é que vou procurar uma casa, é que a vou arrumar, a vou limpar, me tornarei simpático para com todos os meus colegas e amigos, depois das férias é que vou começar a fazer alguma coisa de jeito com a minha vida (o que quer que isso queira dizer, nunca ninguém sabe o que isso é), depois das férias é que vou pensar nisso...
.. basicamento adia-se a vida por dois meses, como se eles não existissem e são necessários para o perfeito funcionamento deste admirável mundo novo...
... para depois das férias é que recomeçarei a escrever novamente neste blog, a colocar mais fotos, a pensar nele e pensar na sua utilidade...para depois... logo se verá...
8.16.2004
8.13.2004
8.11.2004
"Bush Tem Razão!
Por ANTÓNIO VILARIGUESQuarta-feira, 11 de Agosto de 2004 (Público)
Assisti a uma recente conferência de imprensa de Bush. Traço mais saliente que retive: o tom messiânico de todo o discurso. Daí não viria mal ao mundo, se estivéssemos perante de um qualquer pastor de uma qualquer seita protestante. Mas não. Quem falava era o Presidente da superpotência dominante. Aí fiquei seriamente preocupado."
Será que o Bush é um descendente da linhagem Merovíngia? Ihope Not...
Por ANTÓNIO VILARIGUESQuarta-feira, 11 de Agosto de 2004 (Público)
Assisti a uma recente conferência de imprensa de Bush. Traço mais saliente que retive: o tom messiânico de todo o discurso. Daí não viria mal ao mundo, se estivéssemos perante de um qualquer pastor de uma qualquer seita protestante. Mas não. Quem falava era o Presidente da superpotência dominante. Aí fiquei seriamente preocupado."
Será que o Bush é um descendente da linhagem Merovíngia? Ihope Not...
8.09.2004
8.05.2004
8.04.2004
Ninguém nasce hetero ou homo. As pessoas são construídas hetero ou homo (assim como são construídas como homens ou mulheres, em termos de género). 'Construídas' não quer dizer que haja um complot, com agentes conscientes (embora também os haja). Quer dizer que há modelos complexos, de relações, instituições e símbolos, que empurram as pessoas para certas práticas e discursos (que, no caso da sexualidade, redundam, entre outras coisas, em orientações).*
*'Construção social' é um processo complexo, com inúmeros actores, imensos 'cordelinhos' e mecanismos de suporte. A pessoa 'construída' como homo ou hetero passa a ter essa característica como uma disposição, algo que não se desfaz pela simples vontade da pessoa ou de um terapeuta (uma vez que não foram eles que construiram). É completamente desonesto inferir a partir da teoria construcionista que as pessoas possam mudar de orientação sexual através de 'curas'. O que tão-pouco significa que a orientação sexual seja inata.
Retirei isto do Blog de Miguel Vale de Almeida, professor no departamento de Antropologia do ISCTE e homossexual sem complexos de o afirmar e reivindicar os direitos a que os homossexuais também deviam ter direito.
Estas frases intrigaram-me, não pelo seu conteúdo mas pelas perguntas que me instigam a fazer e que não sei responder:
- se a sexualidade é construída e não é inata, qualquer pessoa é bissexual, pode é decidir apenas ter uma orientação (homo ou heterossexual). Mas a sua base é bissexual, donde é lógico retirar a conclusão que a forma mais correcta de apresentar a sexualidade de alguém é através da bissexualidade? Só que mais tarde pendem mais para um lado?
- se assim é quais são os factores que influenciam as escolhas ou determinam as escolhas das pessoas?
- qual é o papel do género no meio de isto tudo?(se é que tem de ter)
- se a homossexualidade é a negação ou o negativo do considerado hegemónico na sociedade, e se essa negatividade é uma opção e não algo inato que a leva a fazer, qual é a razão dessa oposição em relação ao hegemónico?
- qual é a explicação para que a heterossexualidade tenha-se tornado hegemónico?
- existirá algum cruzamento com as necessidades fisiológicas no mundo animal (excluindo o homem) para a sua reprodução?
- se a escolha da orientação sexual pouco têm haver com a pessoa e se ela apenas recebe o legado transmitido por um outro alguém/instituição ou entidades (não obrigatoriamente conscientes desse facto), em que altura da vida se pode afirmar que a sexualidade de alguém já está predefinida?
ainda não consegui integrar muito bem esta perspectiva sobre a sexualidade e as suas escolhas por existirem demasiadas perguntas sem respostas e que creio serem fundamentais para compreender um pouco mais sobre todo o fenómeno que rodeia a sexualidade (e ao contrário do que este post pode parecer refiro-me a algo muito maior que a própria homossexualidade, refiro-me a toda a sexualidade, homo ou hetero e às construções da sexualidade em cada um dos géneros e os porquês das suas diferenças e se elas são explicáveis ou como cada vez mais parece ser na homossexualidade um preconceito do nosso legado judaico-cristão).
*'Construção social' é um processo complexo, com inúmeros actores, imensos 'cordelinhos' e mecanismos de suporte. A pessoa 'construída' como homo ou hetero passa a ter essa característica como uma disposição, algo que não se desfaz pela simples vontade da pessoa ou de um terapeuta (uma vez que não foram eles que construiram). É completamente desonesto inferir a partir da teoria construcionista que as pessoas possam mudar de orientação sexual através de 'curas'. O que tão-pouco significa que a orientação sexual seja inata.
Retirei isto do Blog de Miguel Vale de Almeida, professor no departamento de Antropologia do ISCTE e homossexual sem complexos de o afirmar e reivindicar os direitos a que os homossexuais também deviam ter direito.
Estas frases intrigaram-me, não pelo seu conteúdo mas pelas perguntas que me instigam a fazer e que não sei responder:
- se a sexualidade é construída e não é inata, qualquer pessoa é bissexual, pode é decidir apenas ter uma orientação (homo ou heterossexual). Mas a sua base é bissexual, donde é lógico retirar a conclusão que a forma mais correcta de apresentar a sexualidade de alguém é através da bissexualidade? Só que mais tarde pendem mais para um lado?
- se assim é quais são os factores que influenciam as escolhas ou determinam as escolhas das pessoas?
- qual é o papel do género no meio de isto tudo?(se é que tem de ter)
- se a homossexualidade é a negação ou o negativo do considerado hegemónico na sociedade, e se essa negatividade é uma opção e não algo inato que a leva a fazer, qual é a razão dessa oposição em relação ao hegemónico?
- qual é a explicação para que a heterossexualidade tenha-se tornado hegemónico?
- existirá algum cruzamento com as necessidades fisiológicas no mundo animal (excluindo o homem) para a sua reprodução?
- se a escolha da orientação sexual pouco têm haver com a pessoa e se ela apenas recebe o legado transmitido por um outro alguém/instituição ou entidades (não obrigatoriamente conscientes desse facto), em que altura da vida se pode afirmar que a sexualidade de alguém já está predefinida?
ainda não consegui integrar muito bem esta perspectiva sobre a sexualidade e as suas escolhas por existirem demasiadas perguntas sem respostas e que creio serem fundamentais para compreender um pouco mais sobre todo o fenómeno que rodeia a sexualidade (e ao contrário do que este post pode parecer refiro-me a algo muito maior que a própria homossexualidade, refiro-me a toda a sexualidade, homo ou hetero e às construções da sexualidade em cada um dos géneros e os porquês das suas diferenças e se elas são explicáveis ou como cada vez mais parece ser na homossexualidade um preconceito do nosso legado judaico-cristão).
8.03.2004
by Me
nas passadeiras é suposto os carros pararem para darem passagem aos peões mas nem sempre é assim...
... a vida é curta e não pára. Quem pára morre ou quem prefere ficar parada escolhe morrer, lentamente, enquanto vê os outros passarem por ele, ignorando a sua existência. Só lhes interessa quem também não pare ....
... (por exemplo para pensar)
8.02.2004
7.28.2004
Ela, ao contrário de outros, encondia-se por detrás das suas grandes mãos.
by Me
Dizia ela que quando o fazia, conseguia isolar-se do mundo.
Tudo há sua volta deixava de existir, acreditava ela.
Uns acreditam poder ver a realidade, enquanto outros dizem que essa realidade nada tem haver com eles. Qual deles o correcto? Se calhar nenhum. Talvez ambos estejam enganados mas ambos felizes na sua cegueira.
by Me
Dizia ela que quando o fazia, conseguia isolar-se do mundo.
Tudo há sua volta deixava de existir, acreditava ela.
Uns acreditam poder ver a realidade, enquanto outros dizem que essa realidade nada tem haver com eles. Qual deles o correcto? Se calhar nenhum. Talvez ambos estejam enganados mas ambos felizes na sua cegueira.
7.25.2004
by Me
caminhava por veneza, senão me falha a memória por altura da páscoa, e numa das muitas estreitas ruas que por lá se encontram deparei-me com uma luz ao fundo (do túnel).
Via-se a silhueta de uma rapariga, a luz brilhava na sua pele ou roupa, não sei bem dizer.
Aproximei-me, na tentativa de interromper o seu isolamento e de ficar mais perto dela.
Dei uns passos e lá continuava ela, agora deitada... a falar com um outro rapaz. Notei que não era eu. Voltei as costas e percorri o longo corredor, que era aquela rua, em silêncio.
Não desisti e continuei a pensar que existia uma rua estreita, com uma luz brilhante lá ao fundo, onde iria encontrar-me a falar com ela.
by Me
7.21.2004
by Me
Uma vez, numa das muitas viagens que fiz (não foram assim tanto como a frase parece dizer, sinto-me bem ao dizer esta frase e levar em erro as pessoas) deparei-me com este estranho animal.
Anatomicamente era impossível que ele conseguisse voar mas a verdade está lá toda, na foto.
Não sei se era um mutante produzido nas águas salobras de Veneza mas de repugnante nada possuía. Baptizei-o, na altura, com um nome, em italiano -obviamente, do qual já não me recordo. Creio que começava com a letra P.
Naquele dia apeteceu-lhe entrar pela janela, deixada aberta com esse propósito, apenas para me saudar...
7.20.2004
Lembro-me de ser mais novo e ouvir o meu pai falar de um restaurante de nome Galeto, onde se podia comer bem e até às muitas pela noite a dentro. Na altura, por viver longe de Lisboa e por nem sequer sair à noite (creio que os meus pais me mandavam para a cama, conjuntamente com o meu irmão mais velho, por volta das 21h), nunca prestava muita atenção aos nomes, excepto quando eram invulgares – o que era o caso deste -, e imaginava na minha cabeça possíveis ficções de onde seriam e como seriam esses lugares.
Não foi a primeira vez que entrei no dito local mas foi a primeira vez que o usei como lugar para pedir uma sandes, beber uma imperial e fazer tempo na companhia de uma boa conversa. Cheguei a casa um pouco mais tarde do que esperava, com isso perdi algumas horas de sono. O sono foi bem perdido, nem dei por ele durante a manhã, tive finalmente a oportunidade de viver uma das histórias que o meu pai contava e me maravilhava quando era pequeno. Agora só falta ir a Angola….um dia, talvez, como tudo. Uma coisa de cada vez.
Se realizarmos todos os sonhos de uma só vez o que é que nos sobra?
PS: enquanto procurava saber se escrevia correctamente o nome Galeto deparei-me com este texto... no mínimo curioso:
""Lisboa tem os seus segredos à noite. Tem-nos de dia e à tardinha. Mas é de noite que os segredos são mágicos e são trágicos. Nesta labuta de manter a Internet a funcionar e de andar à volta dos computadores durante a noite sou, também, um dos personagens que habitam a noite de Lisboa. Ao lado das prostitutas e dos chulos, dos empregados do Galeto, dos bandos de africanos que se juntam à volta das roulottes de bifanas e caldo verde às quatro da manhã, dos apaixonados sem sono que calcorreiam a insónia nos passeios de calçada portuguesa da cidade, dos polícias desinteressados e dos guarda-nocturnos que já viram quase tudo, dos amantes dos bichos a salvarem um gatinho preso no motor de um carro às 3 da manhã depois da saída do cinema, dos que procuram a companhia no copo de cerveja do próximo bar, dos que desesperados da solidão dão tudo por ouvir a voz dos homens, dos amantes que prolongam mais um pouco a rua com medo de ir para casa não vá o encanto quebrar-se, daqueles que levados pela fome da luz e de um bife procuram um qualquer restaurante às 5 da manhã e, por fim, dos arrumadores de carros que aborrecem, ajudam, perturbam e nos enchem a cara da miséria que carregam. Pois foi numa dessas noites de trabalho, aborrecido dos computadores, cansado de trabalhar de noite e saudoso dos braços quentes de mulher que me esperariam em casa que saí à rua por um batido de iogurte com frutas e uma tosta mista ali mesmo no restaurante galeto a dois quarteirões do sítio onde trabalho. Chovia uma espécie de morrinha que não era bem água. Parecia um qualquer líquido viscoso que passava além dos casacos e falava do trágico que tem a noite. Começa o inverno e os sem abrigo gritam-me em silêncio o conforto que tenho em minha casa. A luz dos computadores que durante a noite vigio, deixa nos meus olhos de quarentão, uma impressão bruxuleante, a luz mortiça e cansada dos faróis velhos do meu carro velho, faz uma auréola dentro da chuva que cai. Desloco-me dois quarteirões de carro por medo da chuva e do mal que ela me grita, do incómodo que é saber que a noite está lá e incomoda. Meio entorpecido por estes pensamentos, a tentar perceber qual é o meu lugar na noite, como tento perceber qual é o meu lugar na vida. E sem vontade nenhuma de descer à terra, do inferno onde habito que se situa três metros acima do chão, vou passando semáforos e quarteirões na senda do restaurante que, penso, me confortará o estômago e o estado de espírito. Debaixo daquela chuvinha que não chega a sê-lo, mesmo à porta do restaurante a tentar estacionar carros em troca de uma moeda que lhe mitigue a miséria, vejo-a. Debaixo de um guarda-chuva gritantemente vermelho, parece que pretende personificar a noite toda e a decadência que fugir dos outros traz. Aquela personagem esguia, postada no meio da rua a mostrar-se qual gigante adamastor, qual mostrengo que está no fundo da noite a ensinar-me que o risco entre este meu lado do mundo e o lado onde ela vive é ténue e arriscado. Conheço-a há mais de um ano e a sua presença é sempre a minha aflição. Não lhe consigo adivinhar a idade. Rapariga no fundo dos olhos, mulher na aparência física, velha na história que o seu aspecto grita. Então tinha o cabelo comprido e lutava pelos melhores lugares a estacionar carros. Encontrava-a ao fim da tarde e parecia-me que vinha de longe e para longe. A sua mobilidade era notória. Agora vive dentro de um Renault 5 vermelho em frente ao restaurante que me acolhe a fome até às três da manhã como se arrastar-se mais de cem metros fosse uma tarefa impossível. Agora não sei se tem cabelo escondido sob um chapéu horrível. Arruma carros numa expressão sem vontade, sob uma qualquer história de drogas (?) ou de miséria precoce que não me é dado nem desejado entender. Que susto, que medo, que pavor. Corro atrás dela para lhe dar uma moeda. Ela já me conhece e sabe do meu olhar inquiridor e da certeza de uns trocos na algibeira das calças. Seremos cúmplices, somos personagens da noite de Lisboa."
Jaime, 12 de Dezembro de 2000"
Não foi a primeira vez que entrei no dito local mas foi a primeira vez que o usei como lugar para pedir uma sandes, beber uma imperial e fazer tempo na companhia de uma boa conversa. Cheguei a casa um pouco mais tarde do que esperava, com isso perdi algumas horas de sono. O sono foi bem perdido, nem dei por ele durante a manhã, tive finalmente a oportunidade de viver uma das histórias que o meu pai contava e me maravilhava quando era pequeno. Agora só falta ir a Angola….um dia, talvez, como tudo. Uma coisa de cada vez.
Se realizarmos todos os sonhos de uma só vez o que é que nos sobra?
PS: enquanto procurava saber se escrevia correctamente o nome Galeto deparei-me com este texto... no mínimo curioso:
""Lisboa tem os seus segredos à noite. Tem-nos de dia e à tardinha. Mas é de noite que os segredos são mágicos e são trágicos. Nesta labuta de manter a Internet a funcionar e de andar à volta dos computadores durante a noite sou, também, um dos personagens que habitam a noite de Lisboa. Ao lado das prostitutas e dos chulos, dos empregados do Galeto, dos bandos de africanos que se juntam à volta das roulottes de bifanas e caldo verde às quatro da manhã, dos apaixonados sem sono que calcorreiam a insónia nos passeios de calçada portuguesa da cidade, dos polícias desinteressados e dos guarda-nocturnos que já viram quase tudo, dos amantes dos bichos a salvarem um gatinho preso no motor de um carro às 3 da manhã depois da saída do cinema, dos que procuram a companhia no copo de cerveja do próximo bar, dos que desesperados da solidão dão tudo por ouvir a voz dos homens, dos amantes que prolongam mais um pouco a rua com medo de ir para casa não vá o encanto quebrar-se, daqueles que levados pela fome da luz e de um bife procuram um qualquer restaurante às 5 da manhã e, por fim, dos arrumadores de carros que aborrecem, ajudam, perturbam e nos enchem a cara da miséria que carregam. Pois foi numa dessas noites de trabalho, aborrecido dos computadores, cansado de trabalhar de noite e saudoso dos braços quentes de mulher que me esperariam em casa que saí à rua por um batido de iogurte com frutas e uma tosta mista ali mesmo no restaurante galeto a dois quarteirões do sítio onde trabalho. Chovia uma espécie de morrinha que não era bem água. Parecia um qualquer líquido viscoso que passava além dos casacos e falava do trágico que tem a noite. Começa o inverno e os sem abrigo gritam-me em silêncio o conforto que tenho em minha casa. A luz dos computadores que durante a noite vigio, deixa nos meus olhos de quarentão, uma impressão bruxuleante, a luz mortiça e cansada dos faróis velhos do meu carro velho, faz uma auréola dentro da chuva que cai. Desloco-me dois quarteirões de carro por medo da chuva e do mal que ela me grita, do incómodo que é saber que a noite está lá e incomoda. Meio entorpecido por estes pensamentos, a tentar perceber qual é o meu lugar na noite, como tento perceber qual é o meu lugar na vida. E sem vontade nenhuma de descer à terra, do inferno onde habito que se situa três metros acima do chão, vou passando semáforos e quarteirões na senda do restaurante que, penso, me confortará o estômago e o estado de espírito. Debaixo daquela chuvinha que não chega a sê-lo, mesmo à porta do restaurante a tentar estacionar carros em troca de uma moeda que lhe mitigue a miséria, vejo-a. Debaixo de um guarda-chuva gritantemente vermelho, parece que pretende personificar a noite toda e a decadência que fugir dos outros traz. Aquela personagem esguia, postada no meio da rua a mostrar-se qual gigante adamastor, qual mostrengo que está no fundo da noite a ensinar-me que o risco entre este meu lado do mundo e o lado onde ela vive é ténue e arriscado. Conheço-a há mais de um ano e a sua presença é sempre a minha aflição. Não lhe consigo adivinhar a idade. Rapariga no fundo dos olhos, mulher na aparência física, velha na história que o seu aspecto grita. Então tinha o cabelo comprido e lutava pelos melhores lugares a estacionar carros. Encontrava-a ao fim da tarde e parecia-me que vinha de longe e para longe. A sua mobilidade era notória. Agora vive dentro de um Renault 5 vermelho em frente ao restaurante que me acolhe a fome até às três da manhã como se arrastar-se mais de cem metros fosse uma tarefa impossível. Agora não sei se tem cabelo escondido sob um chapéu horrível. Arruma carros numa expressão sem vontade, sob uma qualquer história de drogas (?) ou de miséria precoce que não me é dado nem desejado entender. Que susto, que medo, que pavor. Corro atrás dela para lhe dar uma moeda. Ela já me conhece e sabe do meu olhar inquiridor e da certeza de uns trocos na algibeira das calças. Seremos cúmplices, somos personagens da noite de Lisboa."
Jaime, 12 de Dezembro de 2000"
É uma ilusão pensar que se verá melhor se se remover o que distorce a visão.
O erro não está no pensar que se vê a realidade adulterada e ela é sempre opaca mas que é possível vê-la na sua essência real (no seu absoluto). Cego é esse que diz conseguir ver tudo perfeitamente mesmo sabendo-se que se encontram camadas de panos a detorpar e a criar falsos significados da infima realidade que se tem a possibilidade de observar.
by Me
O erro não está no pensar que se vê a realidade adulterada e ela é sempre opaca mas que é possível vê-la na sua essência real (no seu absoluto). Cego é esse que diz conseguir ver tudo perfeitamente mesmo sabendo-se que se encontram camadas de panos a detorpar e a criar falsos significados da infima realidade que se tem a possibilidade de observar.
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7.19.2004
Interessante, dá que pensar.
Tanto se critica o muro que os israelitas andam a fazer para os separar dos palestinianos e esquecemo-nos que países da própria comunidade europeia os têm noutros países onde ainda possuem terras, autenticos colonatos, separados por muros... um desses exemplos é espanha e a ainda o seu soberano território de Ceuta.
Tanto se critica o muro que os israelitas andam a fazer para os separar dos palestinianos e esquecemo-nos que países da própria comunidade europeia os têm noutros países onde ainda possuem terras, autenticos colonatos, separados por muros... um desses exemplos é espanha e a ainda o seu soberano território de Ceuta.
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