12.11.2008

Antes do olhar em sentido oposto, houve a altura em que escolheram o mesmo caminho. Ambos olhavam no olho um do outro, sentiam o mesmo que o outro ... ou pelo diziam sentir ... Se um disse-se: "vamos voar como Icarus, até chegarmos ao Sol ou até morrermos derretidos pelo calor..." que o outro concordava cegamente e partiam nessa direcção... e nesses momentos sentiam-se imortais, completos, nem que isso fosse uma ilusão que durasse apenas alguns segundos por dia mas chegavam para enganar mil anos.... assim acreditavam.... assim acreditam todos .... até Icarus, até ao momento em que as suas asas derreteram e a queda foi mais rápida e intensa que a ascensão....

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12.10.2008



Não diziam nada um ao outro, nem sequer olhavam nos olhos. Disparavam palavras contra o vento, sempre no sentido oposto do outro, com a esperança que o vento as levasse em direcção ao ouvido do outro ... mas nunca chegava e cada vez olhavam para mundos inversos. A parte boa, é que tinham muito que partilhar, porque cada um limitava-se a olhar metade do mundo, a metade que faltava ao outro. Nesses pequenos momentos partilhavam ... mas as palavras que transportavam essa partilha, nunca chegavam ao outro...

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Havia vida lá fora ....
Ela trabalhava onde muitos no final da sua vida vão parar.
Por lá ficam, aguardando que volte o Verão e a família volte para o virem visitar, aguardando que seja hora para levantar, aguardando que seja hora de tomar pequeno almoço, aguardando que a vida acabe...
Ela sabia disso... que também, um dia, iria ali parar, não como empregada de limpeza mas como utente, incapaz de cuidar de si própria ... necessitando das mãos de outras pessoas para tomar banho, comer, vestir ou até passear.... Por isso, ela aproveitava estes pequenos momentos de vida na aldeia, para sentir que ainda respirava por si própria, sem necessitar da ajuda de ninguém... ainda não era hoje que entraria naquela porta como utente....
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12.04.2008

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Largo do Cabecito..... deves estar neste momento esquecido por debaixo da neve e frio.... melhores momentos virão, e em cada ano existe um verão...

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11.27.2008

dias passam tortos....

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11.26.2008

a estrada acabava num espelho que devolvia imagens que não existiam, nem sequer em sonhos ou na minha imaginação. Tive a impressão que estas três personagens que encontrei dentro do espelho olhavam igualmente para mim, perplexos da razão de eu estar ali, do outro lado.
Não sei por onde andam agora, nem mesmo sei por onde ando eu agora, mas o que interessa quando temos uma maquina na mão, música entre os ouvidos e o vento frio a bater-nos na face, provocando feridas nos lábios?

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11.20.2008

o sono apanha a todos....

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11.18.2008

... e logo hoje que galguei terrenos imaginários, estes três surgiram à minha frente, em marcha lenta e amena cavaqueira.... por momentos pensei que ainda era Agosto, havia sol e calor, mesmo sendo de noite, o cansaço era uma palavra desconhecida...


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.... afinal a porta re-abriu mais cedo do que o previsto....

.... se calhar por já haver enfeites de Natal pelas ruas....

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11.06.2008

... por motivos de força maior, a porta vai ficar encerrada... mas não desesperem, porque ela está ávida por deixar entrar mais convidados que gostam de aparecer aqui e dar uma olhadela....

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11.05.2008

pequenas coisas acontecem, pequenas coisas existem, pequenas coisas ao sol surgem, pequenos gestos ficam ...

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.... are you looking for your other hand?

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11.04.2008

.... antigas tardes de verão ....

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11.03.2008

Religion is not about facts, but of relationships, and relationships are products of human interaction...

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10.27.2008

Everyone with your hands in the air ......

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9.24.2008

Não sei se era das crenças
ou do local onde estava este quadro
e a luz que o iluminava
mas condizia com a sensação a cada refeição.

Cada dia havia menos pessoas,
mais pessoas partiam
ninguém ficava
e os poucos que ficavam
(os idosos)
também iam partindo aos poucos
lentamente ... tal como o sabor da (última) ceia...


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9.22.2008

metade do corpo
iluminado por uma pequena brecha de luz
não hesitei e fui em frente
nem sequer me passou pela cabeça que me pudesse magoar....



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9.18.2008

vi-me com 80 anos
sentado numa mesa do lar
sem conseguir sair do mesmo lugar
pois já não conseguia mexer a minha perna direita,
braço direito e baba saía do canto direito da minha boca.

A sala estava escura,
para poupar electricidade
frio porque havia muitas mantas
e cheio de vontade para ir à casa de banho

tentava chamar alguém, mas grunhidos saiam da minha boca
já nem articular palavras conseguia
e comecei a sentir um calor a descer pelas minhas calças
e deixei de gritar.

Lá apareceu uma senhora
do outro lado
mas ignorei-a ... esperando que ela não reparasse em mim ...

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9.16.2008

ela queria fugir
the thin light
... mas não me escapou.

Agarrei como agarro todos os dias a vida
coloco a mão no peito
para ter certeza que o coração bate
respiro bem fundo para sentir o ar a penetrar nos pulmões

assim agarro a vida todos os dias
... tal como agarrei esta fugia luz...

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