1.21.2009

Nem sempre a noite é o que parece ser, nem as pessoas que a habitam, nem mesmo quando habitamos os mesmo sítios, há mesma hora, com as mesmas palavras... seguramente que os significados são diferentes, tal como as cores.... ninguém reparou que via tudo de vermelho, nem eu próprio, só no dia seguinte, ao rever as imagens da noite anterior reparei que estava tudo tingido de vermelho.......

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1.19.2009

Alguns beijos são relutantes....
Não se faz nada para que ele aconteça, mesmo com muito ensaio ou preparação, não é possível.
Será um beijo impossível?
Então porque o tentam?
Representam desejarem querer o beijo? Será que se pode viver desejando querer não querendo?
Uma forma de vida que aceita sem aceitar e que para os outros é indiferente que aconteça ou não?
Como pode um beijo ser tão inócuo e incómodo?
Se a vida fosse um beijo, seria igualmente complicado e ficava tudo na mesma, aguardando para que ele aconteça... até hoje....


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1.13.2009

O sol naquele dia era pesado.....

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1.07.2009

até os pássaros fogem destas paisagens cada vez mais gélidas... já nem em casa tenho os pés aquecidos....

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1.05.2009

Ele era apenas um vizinho, mas nunca o via durante a luz do dia, ou cruzava-se com ele no corredor do prédio... apenas o via, sob luz forte e a sua silhueta. Em conversas com outros vizinhos, reparei que ninguém alguma vez tivesse cruzado com ele ou o tivesse visto. Ninguém sabia descrever a sua voz, a sua roupa... um dia, enquanto falava com o proprietário do prédio, sacou a informação que nem ele o tinha conhecido pessoalmente, tinha sido um advogado qualquer a tratar de tudo... mas quem é que seria esse inquilino? Alguém conhecido que desejava o seu anonimato? um criminoso? um doido? um psicopata?

Um dia deixou uma maquina fotográfica escondida no corredor do prédio, mas não conseguiu nenhuma foto melhor que esta... e apenas reforçou a existência do vizinho misterioso.



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1.03.2009

Não sei o que me deu mas estou seguro de uma coisa, deixei algo naquele lugar. Muito provavelmente guardei um segredo no fundo daquele lago. Tenho a sensação que o gostava de ter de volta mas já nem sei em qual pedra o deixei preso ou se o deixei mal preso e ele se desprendeu e rumou caminho até ao pacífico. 
Pior do que não saber onde o deixei guardado, é não saber o que lá guardei.
Se não sei o que deixei, como posso sequer ter a sensação de sentir falta dela? será um segredo recalcado? Ou uma memória ficcionada que construí para preencher o vazio da minha vida presente? Ou será apenas mais uma invenção, igual a tantas outras, para dar sentido ao respirar de todos os dias?

Sinceramente já nem sei porque escrevo estas palavras, apenas sei que ficou alguma coisa presa a esta fotografia, que já nem sei se realmente era minha...



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12.31.2008

quando se deseja que do outro lado as coisas sejam melhores, quando se deseja estar onde não se está, estar com quem nunca se está.... é de quem deseja fugir, fugir dos pais, do país, dos amigos, ainda mais dos desconhecidos, do trabalho, da responsabilidade, de ter um plano, de voltar a ter um pais que nos acarinhem e nos digam o que podemos ou não fazer.... deseja-se uma regressão, ir para dentro do útero materno, no meio do liquido amniótico, onde a temperatura é constante, a comida chega constantemente e nada altera o nosso equilíbrio... deseja-se nunca ter chegado a adulto, a ter desenvolvido ideia, ter experimentado e agora não conseguir viver sem elas....
Nesses momentos as montanhas merecem outro tipo de respeito, repara-se que elas não são meros objectos sem qualquer significado ou relevo, não são meras fronteiras, obstáculos, mas sim pontos de passagem obrigatória para quem quer chegar a algum lado, crescer, encontrar-se.... o cume de qualquer montanha passa a ser o vislumbre do ritual que temos que ultrapassar ou os obstáculos que já se ultrapassou....



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12.30.2008

Há dias assim, acorda-se e estranhamos o mundo. Ele estranha-nos de volta. Olhamos e reparamos que vivemos num mundo irreal, desenhado a preto e branco e é igual aquelas bandas desenhadas que apenas encontramos em lojas especializadas. Os objectos não têm formas definidas, parece que tudo pode mudar de um momento para o outro, umas escada pode tornar-se numa serpente ou o chão desaparecer debaixo dos meus pés e cair indefinidamente....
Por mais que tente, o dia continua assim e aguardo que acorde melhor no dia seguinte, que os sonhos sejam desenhados a carvão e que a luz do dia seja mais real e nítida. Enquanto espero, aproveito estes momentos de caos sensorial e experimentação, onde não se sabe o que é real ou irreal. Pode ser que consiga sobreviver a mais um dia e não provocar muitos estragos....

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12.29.2008

Já lá vai mais de uma década..... já lá vem mais uma década... mas o vidro permanece parado no tempo, quando o vemos pelo tempo humano. Continua de cor avermelhado, com algo escrito nele, com pessoas dos dois lados a passarem, indiferente a ele e ele aos humanos, porque continuará cá enquanto eles estão apenas de passagem, no tempo dos humanos...

parou de olhar para o vidro, que reflectia as cores que vinham de dentro do café, do outro lado já tinha escurecido e as únicas luzes que chegavam eram a dos sons das ondas do Pacífico.
"Una caña más!" disse ele num castelhano quase imperceptível, não fosse acompanhado pelo movimento do braço e do indicador para o copo de cerveja vazio que estava pousado no tampo da mesa, entre folhas amarrotadas, rabiscos e conversa.....

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12.28.2008

Who are you?
quem és tu afinal?
Wer bist du?
porque não respondes? porque é que nunca respondes, tu que apareces sempre na minha vida e eu sempre escondido por detrás das paredes, postes, superfícies opacas a observar-te às escondidas... a espiar-te, a ver tudo que fazes, a tentar saber o que és, quem és, o que fazes, o que dizes, o que dizes fazer e não fazes, a documentar tudo.... mas quem és tu afinal, alguém que me ersegue, apesar de dizeres o contrário, que eu te sigo por tudo o lado? Tu é que vives na minha memória falseada, nas imagens dos meus olhos, nos sons dos meus ouvidos, a tocar nos pêlos do meu corpo..... quem és tu que invades e trespassas?
quem és tu? Saberás responder-me a isso? quem é que saberá....



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12.19.2008

Com estas mãos escrevo, carrego no botão, pego em canetas, esfrego uma na outra em tempos de maior frio, sinto a pele dos outros, as rugas, a aspereza da vida que transportam neles, pego no pão que me alimenta, bato com elas nas minha cabeça nos dias de maior desespero, bato palmas quando a minha equipa marca golos ou alguém tocou uma música que me alimentou o ego, com as mãos seguro na bola de jogo, com estas mãos carrego o meu corpo, todos os dias para o dia seguinte... nelas guardo as minhas esperanças....

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12.17.2008

Arrumava uns dossiers no armário quando caiu algo no chão. Pegou nela e reparou que era uma foto antiga. Olhou para ela melhor e afinal era uma memória. A memória do último jantar que tinha tido com ela. Na altura não se apercebeu disso, nem disso nem dos sinais que se iam acumulando dia após dias. Mas o paixão é mesmo assim, cega. E ele encontrava-se cego na altura... défice que nunca conseguiu ultrapassar por continuava sem namorava, detestava jantar fora e não conseguia olhar para as recordações daqueles momentos... Pensava que conseguiria ultrapassar ou que mais tarde ou mais cedo o sentimento se iria desanuviar... mas nada e a vida estagnou nessa foto... nessa triste foto que tinha tirado... sem querer.

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12.16.2008

... o sol calava-se, na mesma posição da minha terra natal, mas o mar era diferente, bem mais pacifico, com outro modo de falar. Sussurrava-me num castelhano raro mas que encantava que nem uma serpente sob o feitiço do tocador de flauta. Eu fiquei ali, encantado até que o sol se calasse e apenas escuta-se o passar dos carros naquela infinita marginal que ligava La Serena a Coquimbo. Ainda não sabia o que iria jantar, talvez um peixe ou um marisco. Mas antes disso tinha que me banhar naquele mar, ter a certeza que um mar calmo como aquele existe, só do outro lado do mundo, onde falam numa linguagem diferente da minha terra mas que há símbolos que nunca mudam, tal como a cruz com Cristo crucificado. Lá estava ele imponente, do outro lado da baía, sozinho, como quase sempre está representado mas seguro que também saboreava estes momentos....


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12.12.2008

Ventura ainda era um jovem mas já com muitas 'milhas no lombo', como ele própria se referia a si mesmo. Tinha escolhido ser camionista por diversas razões. A primeira por gostar de conhecer pessoas novas, outras línguas, outras mulheres. A segunda razão foi ter nascido numa família de poucas poses, tendo que ir trabalhar bem cedo na sua vida, abdicar dos estudos e depender de si mesmo. Ser camionista, cumpria com estas duas razões, recebia por conduzir e ao mesmo tempo circulava por toda a Europa.
Dizia que Deus escreve por linhas tortas, e que a sorte dele foi ter nascido numa família pobre, senão nunca teria pensado em conduzir um camião, porque não é uma profissão com boa reputação. Mas foi aquela que o escolheu e em parte que ele escolheu.
Hoje estava de volta 'à terra' e na melhor altura do ano, nas festa da cidade, que ocorriam todo os anos no Verão, altura em que todas as famílias de emigrantes voltavam à terra, mostrar o dinheiro que tinham (o dinheiro que tinham poupado para poder mostrar todos os anos às outra famílias), os seus potentes carros e dizerem mais uma vez mal do seu país... mas todos voltavam.. os filhos, a segunda geração de emigrantes, é que já não voltava com tanta frequência e isso deixava-os tristes, porque aprenderam a ver o seu país pelas palavras dos seus pais, sempre a criticar e a não encontrar anda de bom nele... sem compreenderem que esse é o modo do português dizer bem da sua terra... que essa era a maneira de expressarem o que sentem....
O Ventura não ia cair nessa esparrela. Iria sempre morar em Portugal, fazer família em Portugal, porque sabia que um dia iria ficar cansado demais de tanto viajar, e o único sítio onde conseguia descansar era na sua santa terrinha ou perto dela. Apesar de muito despovoada, era ali que conseguia passar tardes a olhar para o céu sem se cansar, sem ter pressa de ter que ir a algum sítio... nos outros sítios, no estrangeiro, mesmo que não tivesse nada que entregar ou o trabalho tivesse sido feito, ficava sempre inquieto, com as pernas a abanar, sem conseguir olhar para o céu....


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12.11.2008

Antes do olhar em sentido oposto, houve a altura em que escolheram o mesmo caminho. Ambos olhavam no olho um do outro, sentiam o mesmo que o outro ... ou pelo diziam sentir ... Se um disse-se: "vamos voar como Icarus, até chegarmos ao Sol ou até morrermos derretidos pelo calor..." que o outro concordava cegamente e partiam nessa direcção... e nesses momentos sentiam-se imortais, completos, nem que isso fosse uma ilusão que durasse apenas alguns segundos por dia mas chegavam para enganar mil anos.... assim acreditavam.... assim acreditam todos .... até Icarus, até ao momento em que as suas asas derreteram e a queda foi mais rápida e intensa que a ascensão....

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12.10.2008



Não diziam nada um ao outro, nem sequer olhavam nos olhos. Disparavam palavras contra o vento, sempre no sentido oposto do outro, com a esperança que o vento as levasse em direcção ao ouvido do outro ... mas nunca chegava e cada vez olhavam para mundos inversos. A parte boa, é que tinham muito que partilhar, porque cada um limitava-se a olhar metade do mundo, a metade que faltava ao outro. Nesses pequenos momentos partilhavam ... mas as palavras que transportavam essa partilha, nunca chegavam ao outro...

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Havia vida lá fora ....
Ela trabalhava onde muitos no final da sua vida vão parar.
Por lá ficam, aguardando que volte o Verão e a família volte para o virem visitar, aguardando que seja hora para levantar, aguardando que seja hora de tomar pequeno almoço, aguardando que a vida acabe...
Ela sabia disso... que também, um dia, iria ali parar, não como empregada de limpeza mas como utente, incapaz de cuidar de si própria ... necessitando das mãos de outras pessoas para tomar banho, comer, vestir ou até passear.... Por isso, ela aproveitava estes pequenos momentos de vida na aldeia, para sentir que ainda respirava por si própria, sem necessitar da ajuda de ninguém... ainda não era hoje que entraria naquela porta como utente....
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12.04.2008

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Largo do Cabecito..... deves estar neste momento esquecido por debaixo da neve e frio.... melhores momentos virão, e em cada ano existe um verão...

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11.27.2008

dias passam tortos....

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